sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sentimento de Perda.

Caro sentimento de perda:

Quando você vier, peço que seja tranqüilo e brando. Não me faça entrar em desespero, pois tenho que lidar com o que perdi, com o que ficou, comigo e com você. Peço também para que não seja vazio e sem sentido, de tal maneira que, mesmo que sua presença seja algo negativo, eu possa colher algo que me faça amadurecer nesse estado ressentido.

Venha, e quando vier, faça-me sentir que perdi apenas o que realmente foi embora, e não todas as milhares de coisas ao meu redor que me fazem ter motivos para viver. Já que você tem que vir, que me morda e me assopre, não me faça afogar em lágrimas e nem me sufocar no meu amor-próprio, mas sim a noção de que as coisas vão e vêm, e que nenhuma Vida é um caminho de terra trilhado no meio dos campos verdejantes, e sim asfalto esburacado no meio de uma cidade barulhenta e cheia de curvas.

Ao invés de me prender à coisa perdida, venha e me traga a Liberdade daqueles que amam puramente, sem egoísmo e com olhares gauché sobre tudo que já foi embora, prezando apenas pelo bem-estar dos que ficaram e de mim mesmo.Enfim, queridíssimo Sentimento de Perda, seja Divino, e não Humano.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

The Lover - Jean-Jacques Annaud



Marguerite Duras




Marguerite Duras nasceu em Gia Dinh, na Indochina (agora Vietnam), em 1914, onde passou a infância e a adolescência. A autora irá ficar profundamente marcada pela paisagem e pela vida da antiga colónia francesa, frequentemente referidas na sua obra literária.
O seu pai morreu quando tinha quatro anos de idade, e a sua mãe, uma professora, lutou arduamente para criar três filhos sozinha. Durante a adolescência, Marguerite Duras teve um caso com um homem chinês rico e retorna mais tarde a este período nos seus livros (nomeadamente O Amante e O Amante da China do Norte). Aos 17 anos viajou para França, onde estudou Direito e Ciência Política no Sorbonne, formando-se em 1935.
Durante a II Guerra Mundial, marguerite Duras tomou parte da da Resistência Francesa, filiando-se também no partido comunista.

Duras publica os seu primeiros livros em 1943 e 1944, Os Imprudentes e A Vida Tranquila, respectivamente. A partir de 1959 começa também a escrever argumentos para o cinema, dos quais Hiroshima meu amor é sem dúvida o mais conhecido e marcante. Em 1950, com Uma barrangem conhtra o Pacífico, Duras esteve muito próxima de ganhar o Prémio Goncourt. É no entanto apenas 30 anos depois que a injustiça lhe é reparada, ganhando o prémio por unanimidade com o romance O Amante. É uma autora muito fértil, com uma obra literária vastíssima, desde os romances aos argumentos cinematográficos. Afirma-se sempre com um estilo de beleza inconfundível, num tom duro e denso, por vezes até um pouco inacessível, mas sempre numa expressão profundamente genuína e humana das paixões, grandezas e misérias da vida. Marguerite Duras é por excelência uma escritora da condição humana, mas contudo não procura utilizar a escrita como forma de redenção e/ou salvação; antes, a escrita é uma exigência urgente, um valor supremo em que reside, uma vontade bruta de falar de si. As suas obras estão repletas de descrições belíssimas e soberbamente envolvidas na ambiência exótica da paisagem oriental, não sem deixarem reconhecer uma intensidade angustiada e desesperada, oriunda de uma constante luta da autora com as questões do amor e da morte.

Durante a década de 1980, Marguerite Duras apaixona-se por Yann Andréa Steinner, um homem 38 anos mais novo. Duras viverá com Yann até à sua morte em 1996, mas não sem antes atravessar um duro período em que permaneceu junto do seu marida Robert Antelme, depois de este ter sobrevivido milagrosamente a uma captura pela Gestapo. Este período serviu de base para uma colecção de histórias curtas, intitulada A Dor (de 1985), um grito literário sobre a pressão sob que viveu.

L'Amant


A muitos anos atrás eu assisti ao filme "O amante" e me surpreendi pela narrativa da história. Eu adoro filmes baseados em fatos reais, mas só fui saber anos depois de que se tratava da história de vida de Marguerite Duras, fabulosa escritora. Para mim, o filme é impecável até nas cenas mais explícitas. No livro, Marguerite tem uma narrativa um pouco dura e seca, talvez devido a difícil vida que levou no Vietnam sendo parte de uma família falida e sem expectativas de um futuro melhor.


O filme é maravilhoso, em minha opinião. Vale conferir para quem está curtindo as férias sem nada para fazer. Boa diversão!
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O AMANTE

SINOPSE Baseado no romance homônimo de Marguerite Duras, que vendeu mais de um milhão de cópias em mais de 43 línguas, esta sofisticada adaptação das suas "memórias de juventude" transborda de paixão. Com uma interpretação primorosa e uma fotografia admirável, "O Amante" capta de forma brilhante a essência do despertar sexual e do desejo proibido, como nenhum filme o fez até hoje. Jane March é fascinante no papel de uma pobre adolescente francesa que na década de 1920 conhece um importante e abastado diplomata chinês (Tony Leung) durante uma travessia do rio Mekong. Fascinada pela riqueza e elegância dele, a jovem deixa-se levar pela vertigem do amor e os dois envolvem-se numa relação clandestina e tórrida. Mas se os amantes conseguem ultrapassar as diferenças de idade, raça e classe, a sociedade colonial francesa da Indochina jamais permitirá que se ultrapassem as diferenças culturais.

sábado, 24 de julho de 2010

Poema dos olhos da amada


Ó minha amada

Que olhos os teus

São cais noturnos

Cheios de adeus

São docas mansas

Trilhando luzes

Que brilham longe

Longe nos breus...


Ó minha amada

Que olhos os teus

Quanto mistério

Nos olhos teus

Quantos saveiros

Quantos navios

Quantos naufrágios

Nos olhos teus...


Ó minha amada

Que olhos os teus

Se Deus houvera

Fizera-os Deus

Pois não os fizera

Que há muitas eras

Nos olhos teus.


Ah, minha amada

De olhos ateus

Cria a esperança

Nos olhos meus

De verem um dia

O olhar mendigo

Da poesia

Nos olhos teus.


(Vinícius de Moraes)

Canção da tarde no campo


Caminho do campo verde,

estrada depois de estrada.

Cercas de flores, palmeiras,

serra azul, água calada.


(Eu ando sozinha

no meio do vale.

Mas a tarde é minha.)


Meus pés vão pisando a terra

que é a imagem da minha vida:

tão vazia, mas tão bela,

tão certa, mas tão perdida!


(Eu ando sozinha

por cima de pedras.

Mas a flor é minha.)


Os meus passos no caminho

são como os passos da lua:

vou chegando, vais fugindo

minha alma é a sombra da tua.


(Eu ando sozinha

por dentro de bosques.

Mas a fonte e´minha.)


De tanto olhar para longe,

não vejo o que passa perto.

Subo monte, desço monte,

meu peito é puro deserto.


(Eu ando sozinha,

ao longo da noite.

Mas a estrela é minha)


Cecília Meireles

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Breves linhas


Eu tenho falado muito sobre Vida, Futuro, Presente e Perdão. Ultimamente, eu tenho pensado muito nisso e ponderado sobre várias situações. Sinceramente falando, e não me entendam mal, por favor, eu tenho aprendido muito sobre uma das mais belas lições que a Vida poderia ter me dado: o Perdão.

Eu tento entender o motivo pelo qual as pessoas, hoje em dia, nutrem um ódio tão grande umas pelas outras e percebo que o nome disso é INTOLERÂNCIA... falta de amor e de compreensão. Não olhamos mais os outros como seres conectados a nós, não sabemos perdoar, somente julgar severamente. Exigimos desculpas dos outros pelas faltas que cometeram contra nós. Dizemos: "Eu quero, eu quero, eu quero". Impomos as pessoas às nossas regras rígidas e achamos que isso será bom para elas, tirando assim, sua liberdade de escolher, errar, reconhecer, desculpar e seguir em frente.

Exigimos demais dos outros e de nós mesmos. Somos severos conosco. Não deixamos fluir nada... não deixamos para trás...

Queridos, o que passou, passou. É passado. Não vamos remoer um passado de tristezas e dores e sim, viver um presente com mais compreensão de nós mesmos e, conseqüentemente, dos outros. Perdoar, amigos, não é difícil. É tão fácil quanto andar e respirar. Perdoar nos liberta e liberta o outro das amarras de um passado ruim... e que passou.

Olhemos mais adiante!

Hoje, eu posso dizer que tenho aprendido lições maravilhosas e me sinto feliz por isso. Agradeço a Deus por toda dor que tive que sentir para entender algo tão simples como o Perdão. Infelizmente, muitos de nós, só aprendem certas lições através da dor e muitos de nós só conseguem transmitir esses valores sofrendo pela incompreensão do outro.

Nunca fui santa. Errei e certamente errarei de novo, pois sou humana e estou em fase de evolução, como todos aqui nessa Terra, porém, não mais condenarei o outro pelas suas faltas contra mim. Não sou juiz de ninguém e não tenho o direito de condenar qualquer pessoa, ainda que essa tenha cometido a pior das faltas contra mim. Não sou eu que dou a sentença. Não tenho qualificações para isso e mesmo que eu as tivesse, não gostaria de "brincar de Deus".

Queridos, é verdade, o Perdão liberta, tira-nos um fardo por demais pesado. É maravilhoso perdoar... deixar para trás. E isso não quer dizer que você seja conivente com a falta cometida, mas, sim, mais consciente do outro e de si mesmo, afinal, somos todos humanos e sendo assim, cometemos nossos erros. É natural. Faz parte da evolução. Deixemos a posição de vítimas das tramas do destino (que dramalhão!), de vítimas de terríveis algozes (Oh, que drama!) e sejamos livres dessas ilusões... simplesmente livres. Perdoem!

Ah, é como ter asas!

Obrigada, Deus! Muito obrigada pelas inúmeras oportunidades que o Senhor tem me dado para compreender e saber perdoar de coração aberto.